Resenha: Uma noite para Helena - Diane Bergher


Obra: Uma noite para Helena
Autora: Diane Bergher 
Editora: Amazon
Ano: 2017
Número de páginas: 376


Sinopse:  Helena é uma comprometida enfermeira que trabalha para um renomado médico em São Paulo. Viúva há anos, dedicou sua vida à educação de sua irmã menor, a quem considera uma filha. Sua determinação em ser um bom exemplo para a irmã mais nova ameaça ruir quando Bento é colocado sob seus cuidados. Considerado um dos melhores partidos do Rio de Janeiro, e para fugir da fila interminável de pretendes, Bento havia cedido às pressões de seu irmão mais velho e se mudado para São Paulo, com o intuito de assumir o comando da filial do banco da família. Seriamente ferido em um duelo, Bento não esperava se apaixonar pela linda e destemida enfermeira. Ambos cedem ao desejo numa noite qualquer. Era para ser uma única noite, afinal, Helena era a mais velha dos dois e deveria ter mais juízo. Mas Bento não desistirá dela tão facilmente e dará início a um jogo de sedução, no qual o amor ditará o rumo dos acontecimentos.


Hoje eu trago a resenha de " Uma noite para Helena" que é o terceiro livro da série Belle Époque, obra da autora Diane Bergher, que ficou bem conhecida no meio literário por causa dos incríveis romances de época que escreveu. Ela também é escritora da Trilogia Ela, que foi um sucesso no Wattpad e também pode ser encontrada na Amazon.
"Uma noite para Helena" arrebatou-me assim como os outros  livros anteriores da série. Eu logo fui cativada pela apaixonante Helena que é uma enfermeira muito dedicada com a sua profissão e tem muito zelo por sua irmã Irene.
Ela representa a essência do que significa ser mulher com delicadeza, generosidade, empatia a ponto de abrir mão de sua própria felicidade pelo outro.

Ela teve que amadurecer muito cedo depois de ter um casamento fracassado, enviuvado e de quebra recebeu muitas dívidas para quitar por causa dos vícios em jogatina do ex-marido, e por isso havia fechado seu coração para o amor. Achava que ele não passava de uma ilusão.
Helena foi escolhida pelo Doutor Eliseu Padilha para cuidar do paciente que ele hospedava em sua casa, e que por acaso era seu cunhado Bento Gusmão de Albuquerque, o maior libertino do Rio de Janeiro.
Bento era um conquistador e adorava desafios, especialmente os que envolviam viúvas e mulheres casadas. Após a sua última aventura amorosa ele tornou-se alvo de uma arma apontada por um dos maridos furiosos por que ele lhe presenteou com uma "gaia"( risos). O rapaz levou um tiro no peito e por muito pouco não passou dessa para melhor.

O Gusmão de Albuquerque foi enfeitiçado pela beleza e altivez da enfermeira. Foi paixão à primeira vista desde que seus olhos cruzaram com os da sua ninfa, mas a senhora não lhe dava crédito porque imaginava que ele a tinha apenas como mais uma das suas conquistas baratas. Ele precisou  arduamente lutar para conseguir confiança dela, e provar que realmente a amava de verdade.
A paixão jogou o laço e domou o homem que imaginava que estaria imune a esse vírus letal. Depois que o amor surge em nossas vidas é impossível fingir que ele não existe, e Bento precisou desafiar a morte para que seu coração conhecesse a mulher de sua vida, a única capaz de lhe colocar nos eixos. Ele não se importou com a opinião alheia sobre fato de que era mais jovem do que sua amada, pois se ela o correspondesse isso lhe bastaria.
O amor dos dois é inspirador por que ambos romperam as barreiras sociais que os separavam. Ele era um nobre e ela uma simples enfermeira, ele poderia escolher alguém de uma posição semelhante a dele, mas seu coração foi fisgado pela bela enfermeira.

Helena, por sua vez, é muito diferente das outras protagonistas, pois Penélope soltava fogo pelas ventas e era geniosa que só ela, já flora era espevitada, curiosa, faladeira e divertida.
A enfermeira ao longo do tempo  se tornou muito madura, independente, uma mulher batalhadora, inteligente, íntegra, honesta, gentil e meiga.
Ela nunca imaginou que fosse se apaixonar justo pelo seu paciente, muito menos que o libertino conquistaria seu coração tão rapidamente.
Trata-se de um romance envolvente e divertido, pois Irene se tornou uma das minhas personagens preferidas na trama. Ela é dona de si, implacável, não tem papas na língua, realmente tem uma língua super afiada e diz o que pensa sem medo de ser julgada, devora livros com uma velocidade enorme e nisso somos parecidas, além disso, é muito inteligente e sagaz, totalmente a frente das mulheres da sua época.
 Ela é idealista  e sonhadora, pois almejava mais para si do que apenas casar e ter filhos. Seu objetivo é se tornar uma grande médica e como é muito determinada certamente o conseguirá.
Era o pavor das matronas por que não se parecia muito com uma dama, talvez uma moleca travessa, e esse era o verdadeiro espírito de Irene.

Devo ressaltar que algumas coisas me deixaram fascinada com a história, entre elas o fato de que já se faziam cesarianas no início do século XX e que o Brasil tinha importado uma incubadora para os bebês prematuros.
"A introdução da cesárea na prática obstétrica só teve início a partir do século xviii. Tinha uma alta mortalidade fetal e materna e só era praticada em casos muito especiais. Langaard (1873), em seu Dicionário de Medicina Doméstica e Popular, dá-nos o seu testemunho: “Apesar de que não se pode admitir que a operação seja absolutamente mortal, é o numero das operadas que escapam muito limitado”. A preferência dos obstetras era para o uso do fórceps ou, se necessário, a embriotomia. Somente no século xx a cesárea tornou-se uma operação rotineira.
No Brasil, a primeira operação cesariana é creditada ao dr. José Correia Picanço, barão de Goiana, tendo sido realizada em Pernambuco no ano de 1822."

Fonte: http://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-19.pdf


Para quem quiser saber sobre a incubadora no Brasil é só procurar nesse site: https://revistas.ufg.br/fen/article/view/809/923

Acho interessante trazer dados curiosos em todas as resenhas que faço sobre essa série, pois assim é uma forma de demonstrar que o  trabalho de pesquisa da autora foi primoroso e tudo que narra em seus livros se mostra pertinente ao período.

A série Belle Époque não só nos entretém e nos diverte, como também nos leva a uma viagem para outro século, e eu sempre termino a leitura de um dos livros dessa série extasiada.  É impossível não ficar com ressaca literária. Eu passo o dia rindo sozinha e pensando nos personagens que me conquistaram. Eu sei que parece  bobagem, mas sou assim ( risos), é o meu jeito leitora de ser.
Eu vivo as emoções do que leio nos livros e fico imaginando cada detalhe como se estivesse assistindo a um filme deveras interessante.
O livro é delicioso e emocionante, é daqueles que não queremos mais parar de ler.
Eu o li em três dias e isso é um record para mim, pois antigamente eu lia um livro por mês, mas os livros da Diane me prendem tanto que 4 ou 7 horas de leitura passam voando.
Obrigada por ter escrito mais um livro incrível, querida Diane. Helena e Bento sempre estarão em meu coração♥♥

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